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Mata Atlântica

Grupo Vale do Maquiné
Considerado um dos biomas de maior biodiversidade do mundo e a quinta área mais rica em espécies endêmicas, a Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do país. Apenas 7,3% da área original permanece preservada, em faixas de vegetação ao longo do litoral brasileiro.  Hoje, restam apenas 102.012 km² (cerca de 7,3%), faixas de vegetação ao longo da Serra do Mar considerado como a quinta área mais rica em espécies endêmicas do mundo biodiversidade. No Rio Grande do Sul, várias famílias de agricultores se reúnem desde o início da década para incentivar a agroecologia na região, formando o Grupo Vale do Maquiné. O trabalho começou com a cultura da palmeira Juçara, importante cultivo de diversos grupos e também comunidades tradicionais pelo Brasil. Atualmente, o grupo expandiu a produção para outros alimentos. Um dos principais desafios das famílias se dá na articulação e logística para a venda dos produtos em Porto Alegre, já que o consumo de orgânicos no litoral do estado ainda é incipiente.

Bioma Pampa

Grupo Biodiversidade de Herval
Diversos agricultores de Herval, região localizada no bioma Pampa, no sudeste do Rio Grande do Sul, vivem sob a constante ameaça das monoculturas, em especial o cultivo desenfreado de eucaliptos. O monocultivo prejudica diretamente o sustento das famílias, na medida em que altera as horas de sol e a presença da fauna local, por exemplo. O Grupo Biodiversidade, formado por produtores de assentamentos locais, trabalha a agroecologia como forma de resistência, principalmente com a manutenção do uso das sementes crioulas na região. A proposta do grupo é de uma organização autônoma, apartidária e não-governamental. Os moradores também sofrem com a falta de políticas públicas, como a ausência de transporte escolar.

Camaquã


A Bacia do Rio Camaquã é uma região ainda preservada do Bioma Pampa, muito por responsabilidade do trabalhado realizado através da agricultura e pecuária familiar (por exemplo, o trabalho da ADAC – Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã), do artesanato, da vida ribeirinha, das comunidades indígenas e quilombolas. Muitas das pessoas que tem estes modos de vida se articularam a partir de 2015 para impedir que a mineração de chumbo, zinco e cobre colocasse em risco esta região do Pampa através do projeto ““Projeto Caçapava do Sul”, da Votorantim Metais (empresa que já degrada o Pampa com as monoculturas de eucaliptos) e da canadense IAmGold. A articulação se deu através da Frente de Autodefesa do Camaquã, que esteve presente, organizadamente, em diversas audiências públicas e promoveu uma na beira do Camaquã. Da organização, foi elaborado o “Manifesto de Palmas”, que diz um forte “não” à mineração na Bacia do Rio Camaquã. O Amigos da Terra Brasil está junto nessa luta, dando suporte na comunicação e na articulação política.

Metrópole de Porto Alegre

Cinturão Verde
A região do extremo da Zona Sul de Porto Alegre é cenário de constante luta dos moradores e agricultores locais contra a especulação imobiliária. Reconhecida pela  Lei Complementar 775/2015 como Zona Rural de Porto Alegre, a área é formada por morros como o São Pedro e o da Extrema, na base dos quais diversas associações de agricultores produzem alimentos e outros produtos agroecológicos, que abastecem a alta demanda das feiras da cidade. Os limites da área estão sendo ameaçados pela pressão das construtoras, que buscam investir em condomínios de luxo e no programa Minha Casa Minha Vida, que ignora o centro da cidade como solução do déficit habitacional.

Cantagalo

Foto: Anselmo Cunha/Nonada

A Aldeia do Cantagalo, em Viamão/RS, tem cerca de 280 hectares e abriga 50 famílias mbyá-guarani. Reconhecida há 35 anos como reserva indígena, área tem como estrutura uma escola, posto de saúde e a casa de reza, além das casas dos moradores. A comunidade realiza passeios turísticos e sobrevive também da venda do artesanato.

Ocupação Povo Sem Medo de Porto Alegre – MTST

O direito à moradia digna, garantido pela Constituição, representa atualmente um dos principais desafios dos trabalhadores brasileiros. Em paralelo, Porto Alegre tem hoje cerca de 40 mil imóveis abandonados, ociosos e sem qualquer função social.  O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é uma organização formada e organizada por trabalhadores, principalmente da periferia das cidades, e está presente em 11 estados do Brasil. A ocupação de terra, trabalho de organização popular, é a principal forma de ação do movimento pela moradia e tudo o que envolve esse direito universal, como saneamento básico, calçamento, infraestrutura e transporte público. Em Porto Alegre, atua de forma cooperativa em áreas como a comunidade Progresso, alguns grupos do Morro Santana e a Vila Dique.

Quilombos urbanos


No Brasil, há 1533 territórios Quilombolas em processo de titulação. Na Região Sul, em processo oficial de titulação, existem 143 Quilombos. Apenas dois Quilombos no estado do Rio Grande do Sul apresentam situação regular de Titulação. São os seguintes: Rincão dos Caixões em Jacuizinho e Chácara das Rosas em Canoas. Na cidade de Porto Alegre, ocorrem seis territórios quilombolas. Quilombo da Família Silva (em situação de titulação), Quilombo dos Alpes, Quilombo dos Machados, Quilombo da Família Fidélix (em fase de Relatório Técnico de Identificação e delimitação), Quilombo Flores, Quilombo Areal da Baronesa. Através da Articulação com a Frente Quilombola, o Amigos da Terra Brasil busca apoiar estas comunidades na luta contra o racismo institucional, a violência policial, a especulação imobiliária e outras ofensivas. Com isso, contribuir com o fortalecimento dos seus modos de vida e com a resistência em seus territórios. 

Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo

Os Pontos de Cultura, estabelecidos por lei como políticas públicas pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, são organizações autônomas que contribuem para a democratização da cultura popular brasileira. Nos últimos anos, os pontos vem lutando contra o descaso do poder público, que implica na total falta de investimento. Em Porto Aleqre, um desses pontos é o Quilombo do Sopapo, da ONG  Guayí. Localizado no Bairro Cristal, o Sopapo busca incentivar e desenvolver ações comunitárias que integrem arte, cultura, cidadania e economia solidária. Tem como foco a música, o vídeo e a produção cultural local, promovendo intercâmbio entre linguagens culturais, artísticas e expressões simbólicas diversas, que resultam numa rede de articulação, recepção e disseminação das manifestações artísticas.

Acre

Em 2010 o Acre, estado da Amazônia brasileira conhecido pela luta dos seringueiros que levou ao assassinato da liderança Chico Mendes, criou o Sistema de Incentivos aos Serviços Ambientais (SISA), com o objetivo de fomentar a manutenção e ampliação de “ofertas de serviços e produtos ecossistêmicos” naquele estado. O primeiro dos seis programas do SISA criado foi o Programa de Serviços Ambientais do Carbono (ISA-Carbono), considerado o programa jurisdicional de Redução de Emissões Decorrentes do Desmatamento e da Degradação de Florestas (REDD+) mais avançado do planeta, com potencial de proporcionar relevantes lições para outros regimes de REDD+ e de Pagamento de Serviços Ambientais (PSA) no mundo. Dentre outros processos oriundos desta política, está a assinatura, em novembro de 2010, do Memorando de Entendimento de Cooperação Ambiental (Memorandum of Understanding (MOU) on Environmental Cooperation), que tem como objetivo final a criação de um sistema de crédito de carbono de REDD+ entre os estados do Acre, de Chiapas (México) e Califórnia (EUA). O Acordo possibilitaria o financiamento de REDD+ no Acre e em Chiapas e a compensação das emissões no estado da Califórnia. Trata-se de um processo que vem sendo contestado pelos grupos dos Amigos da Terra Internacional nos três países e a partir do Programa de Florestas e Biodiversidade em decorrência da sua importância no estabelecimento de um precedente para as políticas de clima e biodiversidade. Saiba mais sobre com a publicação “REDD+, O Mercado de Carbono e a Cooperação Califórnia-Acre-Chiapas”  – download

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