Amigos da Terra Brasil eleita para a coordenação internacional da federação global de Amigos da Terra

Nesse 2 de Julho de 2021, encerrou-se a Assembleia Geral Bi-anual da federação Amigos da Terra Internacional, que conta com grupos nacionais em 73 países, com resultados de repercussão para o Brasil.

Relatou-se sobre o avanço da unidade política dos membros da Amigos da Terra na luta contra o fascismo, resultado da moção apresentada por AT Brasil na BGM de 2018 na Nigéria e aprovou-se, nesse ano em que a federação completou 50 anos de existência, uma resolução em apoio à articulação das lutas indígenas no Brasil pela demarcação já e pelo #ForaBolsonaro;  

“Nós saudamos a mobilização histórica e sem precedentes dos povos indígenas do Brasil, os quais reuniram 1200 guerreiros, entre eles mulheres, homens e crianças em junho em Brasília-DF, no acampamento Levante pela Terra, defendendo territórios, natureza, vida, contra o governo facista e ultra neoliberal que está desmantelando as políticas sociais de saúde, educação, ambientais e de direitos humanos e negando direitos constitucionais e consuetudinários dos povos indígenas e tradicionais, em benefício do capital financeiro e dos interesses do agronegócio e das indústrias extrativas”. 

A Amigos da Terra Internacional declara, por meio da resolução aprovada pela BGM 2021, sua solidariedade e preocupação veemente com a questão indígena no Brasil, assim como com as últimas aprovações do Congresso Nacional brasileiro:

“Nós recebemos em solidariedade o chamado internacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) pela mobilização indígena  que terá continuidade de Agosto em diante, contra a aprovação do Projeto Lei PL490, pelo julgamento do caso Xokleng/SC estabelecido no Supremo Tribunal Federal (STF), e pela implementação efetiva da convenção ILO 169, com o objetivo de garantir os direitos dos indígenas à terra e a auto-determinação, proibição de exploração econômica de suas terras e o reconhecimento que sua presença e luta por seu próprio território é legítima desde antes da colonização do Brasil”. 

Lucia Ortiz, atual presidenta da Amigos da Terra Brasil e nova representação lationamericana nos próximos 2 anos.

A ATBrasil foi indicada, eleita e acolhida como novo membro dirigente do Comitê Executivo Internacional. A representação lationamenricana passa a ser representada nos próximos 2 anos pela atual presidenta da ATBrasil, Lucia Ortiz e por Silvia Quiroa, coordenadora de CESTA – AT El Salvador. 

“Apresento a minha candidatura ao Comitê Executivo(ExCom) […] devo minha formação política e muito do meu desenvolvimento pessoal Amigos da Terra Internacional (ATI), por todo o trabalho com comunidades, alianças e articulação entre movimentos populares e setores sociais durante os processos de luta do local para o global, e de volta. A partir desta prática que realizamos na federação, estou profundamente comprometida com a visão internacionalista, solidária e de classe que construímos todos os dias na perspectiva da justiça ambiental, social, econômica e de gênero e contra todas as formas de opressão e exploração.[…] Acredito que as lutas acumuladas que temos na região e no Brasil – contra as ditaduras, o racismo, as corporações transnacionais, o patriarcado, a agenda comercial neoliberal, os golpes de Estado e agora contra o facismo genocida – exigem que coloquemos nossas forças em ação de solidariedade internacionalista, porque só juntes mudaremos o sistema.”, diz Lúcia em seu discurso de candidatura que a levou à ocupação do cargo na coordenação política da Federação. Ainda, nossa companheira e membro do conselho diretor da Amigos da Terra Brasil, Letícia  Paranhos, foi referendada e teve seu mandato político como co-coordenadora do programa internacional de Justiça Econômica e Resistência ao Neoliberalismo (JERN) respaldado pela assembleia de membros.

Letícia  Paranhos, integrante da Amigos da Terra Brasil e do Conselho Diretor da entidade, teve seu mandato político como co-coordenadora do programa internacional de Justiça Econômica e Resistência ao Neoliberalismo (JERN) respaldado pela assembleia de membros.

Ao completar 50 anos de existência, a federação realizou sua primeira assembleia de forma virtual desde que iniciou suas atividades em 1971, com a participação de delegados das organizações-membro nacionais dos 4 continentes e das estruturas: ExCom, Secretariado Internacional, Coordenadores/as de programas, representantes das estruturas de governança regionais e das alianças estratégicas internacionais: da marcha Mundial das Mulheres e da Via Campesina. O Diretor Executivo do Centro de Justiça Ambiental do Sri Lanka Hemantha Withanage foi eleito como novo presidente de ATI: “Tenho a honra de ter sido eleito presidente da maior organização de justiça ambiental de base do mundo que, há 50 anos, lidera a luta contra os poluidores e exploradores de recursos naturais por um futuro justo e equitativo. Minha prioridade para os próximos dois anos é fortalecer os grupos membros e o trabalho da Amigos da Terra Internacional com as comunidades ao redor do mundo que lutam por uma sociedade justa, alinhada com nossa visão e missão”, diz. Ele entra no lugar que Karin Nansen, de REDES Amigos da Terra Uruguai, ocupou nos últimos quatro anos. “Se quisermos realmente transformar nossas sociedades, precisamos urgentemente desmantelar todas as opressões sistêmicas -classe, racismo, patriarcado, heteronormatividade, colonialismo- que restringem nossos direitos e nos impedem de ser atores políticos. Nosso potencial de contribuir como Amigos da Terra Internacional junto com seus grupos membros e aliados internacionais é enorme”, disse Nansen em seu discurso de despedida.

A Amigos da Terra sai fortalecida com a aprovação e benvinda a 3 novos membros nacionais: UDAPT – união dos povos indígenas e campesinos da amazônia equatoriana em luta histórica contra os crimes ambiental da Chevron-Texaco e por um Tratado Vinculante que regulamente as empresas transnacionais em matéria de Direitos Humanos; Amigos da Terra Índia, uma coalizão nacional com 57 grupos, articulando movimentos sociais – indígenas, pescadores, camponeses – e organizações que trabalham em várias questões ambientais numa perspectiva de justiça com base nas lutas dos movimentos populares – mudança climática, agricultura industrial e apropriação da terra, consumo insustentável de água e energia, particularmente nas cidades, direitos fundiários, florestais e costeiros, soberania alimentar e direitos humanos; e o Centro EDEN, da Albânia, uma organização de jovens profissionais atuando contra projetos de barragens e por políticas públicas pelo meio ambiente no seu país e região através de ações de informação e educação. 

É um momento histórico para para Amigos da Terra Brasil, que foi um dos primeiros membros do Sul Global a ingressar na federação na década de 80 e fez parte da sua coordenação nos anos 90 através da representação da ecologista pioneira Magda Renner, e também desafiador face às crises multidimensionais do sistema capitalista mundial, ao que corresponde celebrar com o crescimento e fortalecimento de Amigos da Terra como um movimento, ao mesmo tempo global e de base, com raízes onde se dão as lutas dos povos pela justiça ambiental no mundo todo.