Solidariedade aos defensores do território Reitoca em Honduras

Repudiamos a criminalização dos defensores do Rio Grande de Reitoca

Em janeiro de 2018, os habitantes de Reitoca, município do departamento de Francisco Morazán, Honduras, instalaram um acampamento para impedir a construção de uma barragem hidroelétrica no rio Petacón. Em abril de 2019 foram fortemente reprimidos pela empresa PROGELSA (Promotora de geração de energia limpa S.A — na sigla em espanhol), uma empresa denunciada internacionalmente por violações dos direitos humanos, que insiste na implementação do projeto e tem levado à Justiça as pessoas que resistem à sua implementação.

Na quinta-feira, 5 de agosto de 2021, durante a madrugada em Honduras, a polícia entrou violentamente na comunidade indígena de Reitoca, reprimindo-os mais uma vez, disparando gás lacrimogêneo, espancando e ameaçando os moradores e prendendo José Orlando Rodas, Andrés Abelino Gutierrez, Jorge Montes Isidro, Renán Zelaya Vázquez e Jairo Oliva Reyes. Os cinco estão entre os 15 defensores dos territórios que vêm sendo processados atualmente, em um claro ato de criminalização e repressão dos afetados pelo projeto hidrelétrico. Os presos foram liberados, mas ainda terão de enfrentar o processo legal a partir desta segunda-feira, 16 de agosto.

As e os moradores da comunidade exigem o cancelamento do projeto hidrelétrico, a reafirmação da Declaração Municipal de Reitoca livre de projetos extrativistas e o fim da perseguição e criminalização política das instituições contra os defensores do rio Petacón.

Como comunidade internacional, condenamos o uso repressivo das forças estatais para defender um projeto extrativista e exigimos que o governo pare a perseguição judicial dos líderes sociais na tentativa de intimidar a luta popular contra as barragens e em defesa de seus rios e o cancelamento deste mega-projeto que destrói territórios. A defesa da água e dos rios não é crime.  Mais uma vez pedimos às organizações sociais e ambientais que denunciem este ato e apoiem em solidariedade com o povo hondurenho que resiste à violência neoliberal em seus territórios.

Amigos da Terra da América Latina e do Caribe, ATALC

Agosto 2021

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