Ao MAB, nossa reverência pelos 30 anos de exemplo de luta e resistência em prol da soberania popular

No dia 14 de março de 2021, o Movimentos dos Atingidos e Atingidas por Barragens (MAB) celebrou 30 anos de luta e resistência. Ao longo desses anos, construiu uma trajetória emocionante, marcada por desafios e conquistas na defesa pela garantia dos direitos dos povos e contra a privatização dos bens comuns. 

Para os Amigos da Terra Brasil, o MAB é um importante aliado na luta por uma sociedade justa e igualitária, ambientalmente sustentável, e na defesa para que as necessidades do povo e da classe trabalhadora estejam acima dos interesses do capital privado das empresas transnacionais. Foi junto do MAB que aprendemos o que acontece quando os lucros estão acima da vida e a forma que as corporações garantem sua impunidade diante dos crimes cometidos. (Crime sem fim: a lama da BHP Billiton / Vale S.A. não para de escorrer / Brumadinho (MG): o crime se repete / O que aprendemos com Brumadinho?)

Nossas lutas unem forças em âmbito estadual, nacional e internacional. 

No Brasil, a luta contra a privatização da água e energia, assim como a segurança de defensores e defensoras do território é prioridade, em uma conjuntura de um governo com seu projeto de morte e lucro para os super ricos, em que lutar por nossos direitos é um risco. Nos solidarizamos ao MAB pelas/os companheiros/ras que perderam suas vidas para uma política sistemática de extermínio de quem defende os territórios e os direitos dos povos. Recordamos com carinho a luta digana da companheira Dilma, brutalmente assassinada, ao completar, no dia 22 de março, dia Munidal da Água, dois anos de seu assassinato (1 ano do assassinato da companheira Dilma: Violação dos direitos povos e a privatização do rio Tocantins). Dilma Ferreira é a imagem da mulher atingida que foi reconstituída como sujeito de luta em uma região devastada por um grande empreendimento. Ela estabeleceu um marco na resistência histórica em uma região que não foi devidamente reparada em relação aos impactos da construção da barragem de Tucuruí no rio Tocantins.

Também aprendemos com o MAB, assim como com outras organizações e movimentos sociais aliados na lutas por direitos, o quanto as mulheres são as mais impactadas. E assim como, no atual modelo  de “desenvolvimento” no sistema capitalista, também o atual modelo energético está entre os que mais violam os direitos humanos, principalmente das mulheres. Mas se quando uma barragem é instalada, as mulheres são as que mais sofrem, também são as primeiras a se organizarem para a defesa de seus territórios, da água e da sustentabilidade da vida. Atingidas por barragens marcham em defesa dos direitos das mulheres em Altamira/PA.
   

São 30 anos de lutas de norte a sul do país (Bolsonaro e Macri pretendem retomar projeto de hidrelétrica que desaloja milhares de famílias) com inúmeras vitórias conquistadas e tantas batalhas ainda a serem travadas. Em toda essa caminhada, sem perder o horizonte dos objetivos a serem alcançados: a defesa dos direitos dos povos por soberania popular.

Diante de tantas lutas traçadas junto ao MAB, de ombro à ombro, reafirmamos nosso compromisso em seguir na defesa pelos direitos das populações atingidas por barragens, por um Projeto Energético Popular, em defesa à vida digna acima do lucro e pelo fortalecimento do poder popular.

Convidamos todes a comemorar junto com o MAB no Ato Político Cultural – MAB 30 anos de lutas: a força dos atingidos e atingidas, que ocorrerá hoje, 16 de março, às 19h. O ato político cultural de lançamento das comemorações pelos 30 anos de história, lutas e conquistas do Movimento dos Atingidos por Barragens, unindo gerações de lutadores/as, rostos e sotaques de diversas regiões do país para celebrar estas 3 décadas de trajetória.

Acompanhando a transmissão ao vivo pelas redes do MAB e das organizações parceiras:

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